sábado, 17 de julho de 2010



Estou em crise, tento abrandar meus ruídos, me vejo louca em meio ao turbilhão de pensamentos que minha mente incansável é capaz de criar. Muitos destes inúteis, cuja única função é me atormentar. Em meio a tanta confusão e na escuridão que meus olhos se acostumaram a ver, uma luz brilha, atrai minha alma cansada. Enfim, depois de muito sufoco, eu mereço um instante de paz. Tal luz é uma porta aberta, passo por ela e dou início a minha arte, e chego a pintar um grande salão dourado, cuja única decoração é um piano, tão vazio quanto a minha alma. Nele há pilares, permitindo a visão da bela paisagem lá fora. Ao criar este cenário com a melhor parte de mim, me sinto em paz, e caio ao piso espelhante do salão. Enfim, silêncio, repouso... lágrimas. A menina de cabelos com ondas da cor do sol, que usa um vestido longo de cor pálida e leves traços medievais, no seu precioso instante de paz dorme serenamente. Por fim, amanhece e raios solares invadem o amplo salão, notas invisíveis bailam no ar... o piano. Lentamente eu acordo e me levanto, e ao escutar a música, algo me enche de alegria e uma profunda sensação de paz e liberdade invade o meu ser, um sorriso brota no meu rosto, meio cansado de se contorcer apenas para extravasar as dores através das lágrimas. Como consequência, segue a isso uma estranha vontade de dançar. Um passo... um leve movimento do braço... outro passo... e uma sucessão de movimentos rítmicos. Ah! Doce liberdade! A minha dança entra em sintonia com as notas cada vez mais fortes. Meu corpo e minha alma desejam mais, e me vejo sair do salão, onde me deparo com um lindo jardim, com sua enorme variedade de árvores, flores... imenso verde com seus pontos coloridos que, com sua naturalidade, refrigera a minha alma. Com tamanha felicidade, corro, corro e danço, enquanto as notas me seguem, e dessa vez, não apenas do piano, mas também de harpas, violinos, acompanhados dos mais variados cantos dos pássaros. Lagos espelhantes no caminho, borboletas bailam comigo, os raios de sol procuram brechas entre o verde para tocar na terra. Nestes momentos raros, minha mente tagarela se cala para apreciar o novo espetáculo, deixa de ser protagonista para ser a platéia que se comove com o show. E mais à frente, me deparo com uma luz mais forte , e o meu sorriso parece não se conter, pois é Ele, está abrindo os braços para me receber...e então, com a alegria de uma criança, percebo que o que me atraiu até lá foi Ele, meu Amado, meu Senhor. E com alegria quer me receber, me abraçar, me amar. Corro ao Seu encontro e entro em profunda intimidade com Ele, que me diz: " Eu estou aqui, você não está sozinha, estive esperando por você!" Felicidade tamanha a minha, que volto a dançar com louvor e gratidão. Ele apenas sorri e me diz: "Te amo, não te esqueces! E mesmo que tuas fraquezas a levem a esquecer, estarei aqui de novo te esperando de braços abertos, para ser o Teu repouso e paz." Feliz, respondo com a minha dança: "Tu és o meu Senhor e de Ti não quero mais me afastar."


(Tainan Silva)


Essas palavras são de uma época muito difícil para mim. Uma vez eu estava em lágrimas no quarto e pus uma música instrumental para escutar. Foi, realmente a primeira vez que escutei esse estilo musical, criei todo o cenário em minha mente. Para muitos é visto apenas como uma fuga. Mas para mim, desde aquele momento foi mais que isto, foi um reencontro com a paz, com a minha paz. Por vezes preciso fazer isso, relaxar, e, quando "acordar", voltar mais forte e mais serena pra continuar enfrentando a vida.
Este foi o primeiro texto que eu fiz. :)  

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