terça-feira, 29 de março de 2011

Devaneio silencioso


               
                      Aqui estou novamente em meus aposentos particulares, no árduo trabalho de controlar minhas emoções. Do meu peito sai um grito silencioso, lágrimas rolam pela minha face. Mais uma vez na confusão dos meus pensamentos misturada à solidão que me atormenta. Dolorosa sensação estar perto de você e não poder te ter, tão próxima e ao mesmo tempo tão distante. Apesar do sorriso bobo nos meus lábios nestes momentos, o meu coração chora a angústia de não poder expressar este sentimento que nasceu sem que eu percebesse. A meninice dos teus olhos, onde são refletidas a tua serenidade e simplicidade, foi conquistando sem querer o meu coração desiludido. 
         Triste sorte a minha, terei que calar isso pelo resto dos meus dias. E, ao escrever esta útlima frase, as lágrimas teimam em escorrer pelo meu rosto pálido molhando o deserto do meu coração. Isto pelo menos não posso evitar, não posso fingir. Evitar... este verbo que, tão impiedosamente, tem adentrado minha vida, invade minha alma, calando meus desejos, transformando-se assim nessa melancolia. Esconder minha verdade se tornou torturante para uma alma tão transparente como a minha. Quando toco suas mãos ou quando te abraço, fica quase impossível esconder minha fragilidade, o coração pulsa forte e minhas mãos ficam meio que trêmulas, quase me denunciando.
         E assim vou acumulando gritos, sentimentos, vontades, sem poder transbordá-los, embora não sem esforço, para EVITAR  certos constrangimentos e confusões. Não desejo ser uma pedra no caminho de ninguém. Impedida de tentar conquistar você, me encontro assim presa entre quatro paredes frias de um quarto escuro e vazio, tentando fugir daqui. "Fugir das ruínas desse devaneio silencioso." Fugir das mentiras que a minha razão me obriga a dizer. Me sinto meio anjo caído com suas asas quebradas, meio jasmim com a alma despetatalada.
         Eu preciso de alguma distração, preciso do verde com seus pontos coloridos... urgente! Sair, quero voltar pro meu jardim, sentir a leve brisa tocar meu rosto lavado da dor que mora em mim. E volto a pedir: "Deus, não permita que eu desvie do caminho, posto que será feita a Tua vontade. Me ajude a aceitar este sacrifício."


(Tainan Silva)
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