terça-feira, 12 de abril de 2011

Por aí...


                      Os dias estão começando a dar sinais de que o inverno está próximo. Isso não faz diferença para minha alma que está num iceberg há tanto tempo. E no cinza destes dias, a angustiante certeza de que estou me afastando cada vez mais de um sonho contrasta com a insistente esperança de que as flores ainda irão brotar no meu jardim na próxima primavera.
          Metade de mim grita a dor da solidão, a outra metade procura desesperadamente a paciência oculta nos escombros do meu coração. A neblina cobre a minha tarde vazia ao som de uma música    calma misturada aos malditos ruídos urbanos! Uma chuva fina me convida a sair, quem sabe ela regue o meu coração, trazendo a esperança das futuras flores.
       Meio descabelada e com um típico vestido florido, revelando o grau da minha fragilidade, saio por aí sem rumo, sem destino certo, tendo como única companhia a minha sombra. Os fones no ouvido demonstrando que não quero ouvir algum outro ruído a não ser a música que está me inspirando. Dentro de mim, procuro andar sem escutar ou ver o mundo lá fora, preciso agora dar ouvidos ao que grita em meu âmago. Olho apenas para o verde natural que pinta os arredores da cidade. Quero ficar longe do mundo por uns tempos e mais perto de mim.
           Em passos lentos, me perco nos pensamentos que sempre se voltam pra o que tento esquecer. A chuva que molha o meu corpo timidamente leva com ela toda a inquietação da minha alma. Olhares sarcásticos tentam tirar minha atenção, mas nada me distrai. Tentando não chorar dessa vez, sigo andando, tentando pensar que as cores voltarão nesse deserto preto e branco. Por enquanto preciso saborear os dias nublados, e deixar que a água que lava a terra também passe pelo meu coração, porque um dia... um dia elas voltarão!

(Tainan Silva)

4 comentários:

  1. triste,mais interesante!espero que a primavera chegue logo...

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  2. Não achei triste... achei libertador.
    Sei que voce esteve escondida em seu casulo por muito tempo, minha querida, mas o que eu enxergo em você é que está se tornando cada vez mais serena.
    A passividade não faz mais parte da sua personalide. Se você não responde aos olhares ou provocações, não é porque não saiba como responder, mas porque eles são hoje totalmente indiferentes para uma alma elevada como a sua.
    Serenidade... Logo suas asas estaram prontas, seu casulo se abrirá e serenidade será a unica palavra que se aproximará de uma descrição do seu voo.

    te amo

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  3. Obg Ju!!!! É, acho que estou quase pronta pra sair do casulo!!! :)

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  4. Inevitavelmente depois de um inverno cinza, vem sempre a primavera a esquentar a Alma.

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