quinta-feira, 30 de junho de 2011




"O jardim era sua terra-natal. Suas lágrimas, orvalho. Perfumes, ofício. Suas cores, fantasia. Seus espinhos, proteção. Mal sabia Rosa o que a nutria por debaixo da terra, dos panos e dos seus próprios olhos. Mal sabia Jasmim que por suas raízes alcançarem terra abafada, podia ela se erguer alta e livre a tocar o céu. Tinha medo Margarida de perder suas pétalas arrancadas pelo vento forte, pela mesma razão de também poder dançar inteira sob o sol ou sob a chuva. Sua nudez não era pecado, mas sim entrega. Não sabiam então que, quanto mais elevadas se faziam, mais frágeis também se tornavam. Antes, sofria a flor que se via pedra, chorava limo e que não se reconhecia Rosa, Jasmim ou Margarida. Quando  aí souberam que suas fragrâncias e cores seriam as mesmas em qualquer paisagem; quando descobriram que seriam plenas ainda que os olhos do homem não as contemplasse ou borboleta elegante ali não repousasse. Quando visita não foi mais espera; e quando as estrelas no céu lhes foram suficientes, o inverno por elas passou e aí sim, souberam que sementes eram sonhos; fragilidade era força. Primavera, recomeço. E suas dores, florescimento."

Guilherme Antunes
 

2 comentários:

  1. Olá Jasmine! Tudo bem?! Posso pedir um favor procê? Pra você por, ou o meu nome todo (Guilherme Antunes) ou linkar o meu texto com o blog, na postagem mesmo! ;)
    Um beijão..

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...