segunda-feira, 5 de setembro de 2011








A moça está encolhida ali quietinha no momento em que ela batizou de "casulo", se contorcendo com o aperto lá dentro, descabelada, olhos lavados pelo cansaço da alma. Vive entrando e saindo do casulo, ela acredita que cada cura da alma é como se fosse o vôo de cada nova borboleta. Está escuro, enquanto ela espera por algum raio de sol, as notas suavizadas no piano tocando ao longe parecem amenizar sua luta com a própria dor... Apesar disso, ela sabe que precisa, sabe que sua teimosia e impaciência a leva muitas vezes a se encontrar no seu processo de amadurecimento um tanto doloroso, o crescer é lento e trabalhoso. Uma confusão de sentimentos se faz presente... angústia, medo, amor, desesperança, brigam até fazer sangrar. O amor, que chegou primeiro, luta pra expulsar os outros que quiseram roubar sua essência. A bailarina ora grita pra que essa bagunça cesse, ora observa silenciosamente e, lá dentro, tentando se manter um pouco afastada de toda a desordem, pede a Deus que lhe traga a paz que ela tanto necessita. E assim, mal percebe ela que lentamente saiu do seu lugar deixando se levar pela calma melodia. A magia do momento ameniza as revoltas interiores e os excessos, dando lugar ao amor... "Que só ele permaneça", pensa ela, trazendo na sua essência a alegria, a tranquilidade, a paciência, a esperança quase perdida... e enfim, ela poderá sair do isolamento necessário, abrir suas asas e gozar de sua doce liberdade.

Tainan Silva

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